Framework de estudos – Introdução

O termo “formado”, para aqueles que terminaram a época de estudo formal, perde cada vez mais o sentido, já que passa a ideia de que estamos “prontos”. Vivemos uma época de mudanças cada vez mais aceleradas. Portanto, quem não se atualiza tende a perder espaço. Neste cenário, aprender a aprender torna-se uma habilidade cada vez mais essencial.

Na minha opinião, o primeiro passo para aprender a aprender é ultrapassar as barreiras sociais e culturais. O estudo é visto como algo chato e que se deve gastar o mínimo de tempo possível. Se não houver um esforço consciente para a mudança de pensamento, é muito provável de se seguir a manada. Por isso, conviver com pessoas que gostam de discutir diferentes assuntos e que te motivam a estudar, já é meio caminho andado. O restante é técnica, que é fácil de se aprender quando o primeiro obstáculo já foi ultrapassado.

O segundo passo, é ter a consciência de que o nosso método de ensino tradicional não nos motiva e tampouco nos ensina a estudar. Somos instruídos a decorar a resposta, ao invés de pensar e discutir sobre o problema. Somos instruídos a usar o material fornecido, e não a pesquisar o assunto de interesse em diversas fontes. Além disso, somos incentivados por amigos e familiares a estudar de última hora, que, segundo algumas fontes [1], [2] e [3]), é uma das piores coisas a se fazer quando o intuito é aprender, e não apenas tirar nota.

Mesmo ultrapassando as barreiras sociais e culturais, é bastante comum as pessoas conhecerem e usarem diversas técnicas de estudos sem saber exatamente o porquê e sem considerarem as vantagens e desvantagens de cada uma, seu perfil de aprendizagem, quantidades de horas disponíveis, etc.

Utilizar essas técnicas conscientemente pode ajudar muito a eficiência dos estudos, ou seja, estudar mais em menos tempo. Mas não adianta ser eficiente estudando as coisas que não estão alinhadas com os seus objetivos. Por isso, é muito importante saber selecionar aquilo que se vai estudar, tornando o processo mais eficaz. Por fim, é importante criar meios de se verificar se o processo está sendo seguido com sucesso, facilitando o processo de melhoria contínua.

Recentemente, notei que minha rotina de estudos era bastante eficiente, mas parecia que faltava algo. Por isso, estou desenvolvendo um framework de estudos baseado no PDCA. Como pode ser visto na representação abaixo, o PDCA é um processo cíclico que envolve 4 fases: (Plan, Do, Check, Act – em português, Planejar, Fazer, Checar, Agir) [4].

No contexto de estudos, a primeira coisa a se fazer, é planejar aquilo que se vai estudar, considerando seus objetivos de longo e curto prazos (P). Em seguida, estuda-se o material proposto, experimentando diferentes técnicas (D). Finalizada a fase anterior, verifica-se aquilo que deu certo ou errado (C) e toma-se as ações necessárias para que a próxima iteração seja melhor (A). Quem conhece Scrum, deve ter encontrado alguma similaridade, e não é por acaso.

No próximo post, irei compartilhar o desenvolvimento deste framework, que inclui:

1 – como selecionar aquilo que vamos estudar (Planejar)

2 – como estudar de forma mais eficiente (Fazer)

3 – como controlar se estamos seguindo o plano para agir em cima dos erros (Checar, Agir)

Como resultado, espero incentivar vocês a criarem seus próprios métodos de estudos de forma consciente e planejada. Para quem não sabe por onde começar, espero que o material apresentado sirva como base.


Referências

[1] Improving student’s learning with effective learning techniques
[2] Learning how to learn: powerful mental tools to help you master tough subjects
[3] Como o cérebro aprende
[4] PDCA (Wikipedia)

Desenvolvedor de Software. Tenta aprender um pouco de tudo e muito sobre algumas poucas coisas.